Embora os EUA não possuam uma lei geral de proteção de dados, como a GDPR na Europa e a LGPD no Brasil, isto não significa que não existam leis sobre o assunto no país. Muito pelo contrário. Elas existem, mas são várias leis promulgadas em níveis federal e estadual.
Em geral, diferentemente da GDPR e da LGPD, as leis de segurança e privacidade de dados nos EUA são específicas. Ou seja, elas regulamentam o uso de determinados tipos de dados ou regulamentam alguns setores, como saúde, finanças e telecomunicações.
Na tentativa de cobrir pontos que as leis federais não cobrem, também há leis e regulamentações em nível estadual. Isto é, cada estado promulga as suas próprias regras em relação à proteção de dados e informações.
Embora tenham semelhanças, essas regulamentações geralmente diferem entre os estados porque abrangem diferentes pontos de interesse.
Por falar nisso, alguns estados já estão trabalhando na criação e na aplicação de novas leis, mais abrangentes e protetivas. É o caso da Califórnia, com a California Consumer Privacy Act (CCPA), e de Nova York, com a New York Stop Hacks and Improve Electronic Data Security Act (NY SHIELD).
Existem várias leis federais nos Estados Unidos que envolvem segurança e privacidade de dados e informações. Vamos ver alguns exemplos para ilustrar.
A DPPA define uma série de regras e cuidados que departamentos estaduais de veículos a motor devem ter ao lidar com informações pessoais, como nome e telefone.
A COOPA regulamenta o uso e a coleta de informações sobre crianças menores de 13 anos por parte de alguns tipos de empresas. Por exemplo, ela afirma que as empresas precisam obter o consentimento dos pais para coletar e usar as informações das crianças.
A FCRA trata da proteção de dados coletados por agências de informações ao consumidor, como empresas de informações médicas e agências de crédito. Por exemplo, ela define cuidados especiais ao lidar com informações confidenciais de terceiros.
Como o próprio nome sugere, a TSR estabelece normas e restrições de telemarketing, envolvendo principalmente a questão da privacidade. Por exemplo, ela proíbe chamadas para quem já disse que não quer receber mais ligações e estabelece limite de horário para as chamadas.
A CAN-SPAM determina regras para empresas que enviam e-mails comerciais não solicitados. Um dos principais pontos desta regulamentação diz que o destinatário pode optar optar por não receber mensagens.
A HIPPA exige que informações de pacientes sejam protegidas, garantindo a privacidade e a segurança de dados pessoais.
A FERPA garante a proteção das informações de estudantes. Ela proíbe, por exemplo, a divulgação de dados pessoais e de registros estudantis sem a permissão ou o consentimento do aluno ou responsável.
Muitas leis estaduais nos Estados Unidos também fazem exigências relacionadas à coleta e ao uso de diversos tipos de dados e informações. Podemos dizer até que, em muitos casos, as regulamentações dos estados são prolongamentos ou complementos das leis federais.
Mas, obviamente, há diferenças e alguns estados acabam sendo mais rígidos do que outros.
Por exemplo, todos os 50 estados dos EUA possuem leis de notificação de violação de dados. A questão é que há diferenças entre elas, inclusive na definição do que é uma violação de dados e do que são dados pessoais e confidenciais.
O fato é que alguns estados, como Califórnia, Nova York, Massachusetts e Minnesota, são conhecidos por terem leis mais rígidas de privacidade e proteção de dados, garantindo mais direitos para os seus residentes.
Para ilustrar a preocupação de alguns estados com os direitos e a privacidade de seus residentes, vamos citar duas leis estaduais que entraram em vigor em 2020.
Quando o assunto é privacidade e proteção de dados, sem dúvidas, a Califórnia é uma referência. Recentemente, o estado promulgou a CCPA, que entrou em vigor em janeiro.
Essa lei afeta um grupo de empresas e cria novos direitos do consumidor, que passam a ter mais controle sobre as suas próprias informações.
Outra lei que também entrou em vigor em 2020 é a NY SHIELD. Ela é similar à CCPA.
Na verdade, a NY Shield é uma expansão da lei de notificação de violação de dados existente no estado. Ela exige que determinadas empresas sejam mais transparentes e tenham maior cuidado ao lidar com dados pessoais.
Não há uma autoridade central de proteção de dados nos EUA. Mas a principal autoridade federal em questões de proteção e segurança de dados, apesar de ter jurisdição limitada, chama-se Federal Trade Comission (FTC).
Nas palavras da própria agência: “Em todo o trabalho de privacidade e segurança de dados, as metas da FTC permaneceram constantes: proteger as informações pessoais dos consumidores; e garantir que os consumidores tenham confiança para tirar proveito dos muitos benefícios dos produtos oferecidos no mercado ”.
Existem outras agências e autoridades importantes que regulam a proteção e a privacidade de dados. Porém, elas operam em setores específicos da sociedade, como, por exemplo:
Além deles, os procuradores gerais dos estados também desempenham um papel importante na aplicação das leis.
Por fim, agora você sabe mais sobre o que diz o direito dos Estados Unidos sobre proteção de dados, descobriu que não há uma LGPD americana e que os estados dividem a tarefa de proteger os dados pessoais dos americanos.
A grande pergunta a se fazer é (e muitos especialistas têm feito): os EUA devem promulgar uma lei universal e geral de proteção de dados como a GDPR?
Nós acreditamos que sim, os EUA deveriam adotar uma lei geral de proteção de dados.
Como hoje existem diferentes leis federais e estaduais, fica difícil e burocrático para as empresas cumprirem com tantos requisitos. Muitas exigências também acabam sendo contraditórias ou conflitantes, o que dificulta ainda mais o trabalho.
Além disso, uma lei geral e nova abordaria melhor a sociedade atual, incluindo novas tecnologias e novos tipos de dados.
O governo federal, no entanto, não sinalizou nada a respeito. Só o tempo dirá.
Mas podemos ir além. Quem sabe no futuro não teremos uma lei global de proteção de dados, com regras e padrões universais. Ela poderia funcionar como um acordo entre vários países por um mundo mais transparente e seguro. Este seria definitivamente um passo importante para a segurança cibernética.
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